Por que comemorar o Dia da Mulher?

Novamente estamos comemorando mais um 8 de março, mas por que comemorar o Dia da Mulher? Sim, é muito gostoso ganhar presentes e flores, porém queremos muito mais que isso, né, meninas?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o 8 de março não foi definido como Dia Internacional da Mulher por causa de um incêndio em uma fábrica americana. A data foi definida, em um encontro internacional, em razão das discussões pela igualdade da mulher na economia e na política. E isso foi lá final do século 19! Mas não lhe parece um assunto em pauta AINDA nos dias de hoje?

Infelizmente sim! Ainda hoje temos jornadas duplas ou triplas entre trabalho e casa. Ainda hoje temos que brigar para sermos ouvidas com respeito. Ainda acham que todas nós amamos rosa, que somos todas frágeis e delicadas e que não temos capacidade de lidar com trabalhos mais duros e exigentes, sejam física ou emocionalmente.

E de tanto dizerem, muitas de nós ainda acreditam nisso. Se ganhamos a duras penas espaços de liderança no mercado de trabalho, temos que vencer outras lutas, muitas vezes no círculo familiar ou de amigos. “Como assim você ganha mais que o fulano? ”. “ Você vai viajar e deixar seus filhos com quem?”. “Nossa! Como você é agressiva ao impor suas ideias. Está precisando de um namorado.”

 

A “menina sem medo” foi instalada no Dia da Mulher de 2017. Era para ser provisória, mas acabou ficando permanente. Ela foi criada justamente para falar sobre a igualdade feminina ao desafiar o famoso Touro de Wall Street.  Desafiou tanto, que a partir de dez/2018 ela está em frente da Bolsa de Valores de NY.

 

Sei por experiência própria que, se você não está dentro do paradigma de “mulherzinha”, você logo é taxada de difícil, agressiva e competitiva. Muitas vezes questionei meus interlocutores: e se eu fosse um homem? Teria os mesmos rótulos? Ou seria considerado arrojado, líder, “cabra macho”, ao dizer as mesmas coisas?

Demorei muito tempo para me aceitar ser fora do formato dito padrão (anos de terapia, é verdade!). Custei para ver que eu podia ser informal e me impor da mesma forma. Que eu poderia manter minha delicadeza em determinados momentos, mas também podia ser dura se fosse necessário.

Lembre-se que eu trabalho num mercado que ainda é mais masculino que feminino. No mercado imobiliário (e empresarial como um todo), há poucas lideranças femininas. A maioria de nós desiste de chegar lá. Isso porque é muito difícil mesmo. Além de termos de demonstrar capacidade técnica, temos que vencer a culpa de não estarmos presentes como esperam com filhos, cônjuges e família.

Temos que lutar contra o preconceito, machismo, agressividade e competição desleal. Além disso temos que ser magras, unhas e cabelo feitos, sem nunca deixar de sorrir como num comercial de margarina. É duro. É exigente, mas é possível! (Já falei sobre isso em outro texto meu: https://raqueltrevisan.com.br/blog/ser-mulher-e-f-o-d-a/

Meninos, aí vai um aviso: queremos mais cargos de liderança em todos os setores. Queremos ser tratadas com igualdade. E quando digo igualdade não queremos ser como os homens. Queremos, sim, respeito como seres humanos que somos!!

Entretanto, SIM, também queremos flores, amores, carinho, cuidados! Continuamos a gostar de delicadezas como abrir a porta do carro para nós ou colocar o casaco nos ombros quando chegar um frio inesperado.

SIM, choramos mais facilmente, temos alterações hormonais todos os meses, queremos (ou não) ser mães, queremos sexo com prazer, cuidar dos filhos, beber com as amigas e falar sobre maquiagem.

SIM, somos seres complexos e aí está a nossa graça! Não somos simples de entender, mas se vocês se esforçarem poderão lidar muito melhor não só com a gente, mas com todo este mundão aí fora. Afinal, 50% da população da Terra é feminina e os outros 50% nasceram de dentro de nós!

Feliz Dia da Mulher, mulherada! #tmj